A velha e a nova agenda
"Envolta em papel de presentes, chegou a nova agenda. Bonita, funcional, cheia de esperanças e sonhos, como a juventude costuma ter ao seu lado, marcada pelo tempo e pelas lutas diárias, a velha agenda, cansada e um pouco triste por ser deixada de lado. Embora ela saiba que é amada por mim. Entre as duas, o mistério do tempo.
A velha agenda nada mais é que a minha vida. Em suas páginas estão assinalados os meus fracassos, os meus pecados, as minhas omissões, as esperanças que murcharam, as sementes que não germinaram, as boas intenções que, por não terem sido realizadas, se tornaram más intenções.
Mas ela guarda também páginas luminosas, momentos divinos. Lá estão os meus êxitos, minhas alegrias, os sonhos realizados, os perigos que ficaram para trás. Lá estão assinalados encontros com o Pai e encontros com os irmãos. Algumas palavras lembram momentos difíceis com final feliz: as vezes que tudo me levava a dizer "não" e eu disse "sim"; e as vezes que eu disse "sim", quando tudo conspirava em favor do "não".
A nova agenda está totalmente em branco. Compete a mim, em meio às complicações da vida, escrever alguma coisa. (...)"
A velha agenda nada mais é que a minha vida. Em suas páginas estão assinalados os meus fracassos, os meus pecados, as minhas omissões, as esperanças que murcharam, as sementes que não germinaram, as boas intenções que, por não terem sido realizadas, se tornaram más intenções.
Mas ela guarda também páginas luminosas, momentos divinos. Lá estão os meus êxitos, minhas alegrias, os sonhos realizados, os perigos que ficaram para trás. Lá estão assinalados encontros com o Pai e encontros com os irmãos. Algumas palavras lembram momentos difíceis com final feliz: as vezes que tudo me levava a dizer "não" e eu disse "sim"; e as vezes que eu disse "sim", quando tudo conspirava em favor do "não".
A nova agenda está totalmente em branco. Compete a mim, em meio às complicações da vida, escrever alguma coisa. (...)"
A. Colombo
Um de janeiro de doismilevinte.
Novo ano, nova década, nova agenda. Sou muito dado a agendas e a cadernos no geral, mas com o ritmo que os meus dias têm levado, nos últimos meses, tenho deixado muitas páginas por escrever. As razões são mais que muitas e dou por mim, na maior parte das vezes, a adiar, com medo de falhar e de não ser assim tão bom. Noutras, pior: abraço um ritual desgastante de correção permanente, porque não fico satisfeito com o que sai. Nem à primeira, nem à segunda, nem...
...Procurar a perfeição. Haverá vaidade maior?
Que isso deixe de me bloquear.
Que eu deixe, também, de andar à procura do tempo certo. É este, é agora!
Que nos atiremos às coisa, de coração, mas com cabeça, para avançar. Que façamos por fugir da preguiça, essa inimiga mortal. Que saibamos agradecer a graça que nos é dada, a cada Sol que nasce, e que consigamos guardar 10 minutos por dia, para estarmos sozinhos, connosco, a refletir e a meditar. Que sejamos capazes de registar, nas páginas em branco da nossa agenda, momentos que de tão simples, se fazem divinos. Que não baixemos os braços perante o que vier.
Que nos lembremos de que "o que vier, será bom."
[É tudo.]
Façamos por escrever alguma coisa.
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